Olá pessoal!
Vocês verão a seguir um e-mail dos Pastores e Missionários Marcelo e Marlene e sua filhinha Amanda que foram para o Sudão esse ano e juntamente com a Missão Mcm(Missão Cristã Mundial) estão desenvolvendo um projeto para cuidar especialmente dos órfãos e das viúvas sudaneses que,devido a guerra que causou 2 milhões de óbitos sudaneses,e que na região Darfur ainda continua a fazer vítimas,perderam seus pais,maridos e entes queridos. Esse casal já realizou obras missionárias em Varanasi(Índia) por 2 anos,fazendo um trabalho lindíssimo com os eunucos e castas mais baixas da cidade.
Mas antes de lermos a carta,saiba um pouco sobre o Sudão:
O Sudão é o maior país da África, com cerca de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, localizado na região nordeste do continente. A ONU estima atualmente uma população de cerca de 40 milhões de habitantes.
O norte do país é muçulmano, enquanto o sul é cristão e animista.
Nos anos cinqüenta, quando os ingleses deixaram de colonizar o país, uniram dois territórios absolutamente diferentes em uma única nação. Árabes habitantes do norte do país contra cristãos e animistas do sul. Assim a religião e o petróleo instigaram o início da guerra pelo governo, pois no sul estão localizadas as reservas petrolíferas. Um genocídio se iniciou: pessoas assassinadas, mulheres estupradas, crianças escravizadas. O governo muçulmano do norte marchou impiedosamente contra a população do sul, procurando matar todos os não muçulmanos. O Sudão do Sul está severamente ferido. 75% das crianças estão órfãs, 25% da população está com AIDS. A pobreza e a fome estão em todos os lados. Pessoas mendigam água.
Em 2005, governantes dos territórios divididos assinaram um acordo de paz em Nairóbi sancionando a repartição do Sudão em duas áreas geopolíticas distintas, Norte e Sul, que terão cada uma governos e exércitos próprios, mas continuarão a fazer parte de uma mesma nação.
Hoje, 2009, a situação do país é esta:
1. Educação: Mais da metade das crianças não pode ir à escola por falta de vagas (são poucas as escolas e as classes tem em média 80 alunos); as poucas crianças que conseguem estudar, acabam tendo que sentar-se no chão debaixo de um telhado de zinco (chapa) e o calor aqui chega até os 49 graus.
2. Saúde: Há hospitais e clínicas, mas com as mínimas condições de atendimento. Algumas organizações internacionais como Unicef, OMS, etc, ajudam em algumas campanhas contra a malária e a AIDS (25% da população tem HIV).
3. Infraestrura: Não há luz pública e a maioria das casas tem luz por meio de geradores a gasolina. Nã há sistema de esgoto, água tratada e nem coleta de lixo. Não existem ruas asfaltadas, praças, lojas, shoppings, cinema, etc, etc… nada mesmo…
4. Alimentação: O comércio existente abre as 10:00 am e fecha bem cedo devido a falta de energia elétrica. Tudo é trazido do Quênia ou da Uganda, pois aqui não se produz absolutamente nada. Inúmeros tipos de alimentos não estão disponíveis e os que tem são extremamente caros. Os pequenos comércios estão espalhados e parecem muito com os barracos das favelas mais pobres da América Latina.
6. Economia: Apesar de todos os desenvolvimentos econômicos mais recentes derivados da produção petrolífera, a agricultura continua a ser o sector econômico mais importante do Sudão. Emprega 80% da força de trabalho e contribui com 39% para o PIB. Este aparente bem estar económico é quase irrelevante; a população vive abaixo da linha de pobreza muito por causa da guerra civil e do clima muito seco.
7. Religião: 75% da população são muçulmanos, 20% animistas e 5% são cristãos, contudo não se vê tantas mesquitas como em outros lugares e, neste momento, os grupos que vivem nesta região estão se respeitando.
Graça e Paz!!!
Neste início de trabalho aqui no Sudão, tudo tem ocorrido tão rapidamente que precisamos informá-los mais constantemente devido ao volúme de informações que precisamos enviar. Glória a Deus por isso!
Após a definição da nossa moradia e passarmos 1 semana fazendo uma básica instação elétrica na casa (até 5 horas de energia diária proveniente do nosso gerador a gasolina ) e criarmos uma forma de abastecer nossa casa com água (trazida manualmente de muiiiiito longe) – Veja fotos em anexo – conseguimos mudar…
Tudo aqui é muiiito simples, nosso banheiro é uma latrina na parte externa da casa, nosso chuveiro construímos dentro do quarto e até agora, conseguimos comprar camas e um pequeno fogão de 2 bocas. Nossa vizinhança vive em cabanas bem rústicas e a vida aqui parece como viver em uma fazenda distante… Ninguém tem luz, água, esgoto, todos dormem cedo e acordam bem cedo também. Galinhas, perus e muiiiiitos pombos são também parte do cenário…
Essa semana, vimos um funeral realizado pelo grupo animista e parece demais com os rituais tribais de Papua Nova Guiné… As mulheres nuas ou semi nuas dançam em círculos e os homens ficam em outro lugar com seus rostos e corpos pintados de branco e com lanças em suas mãos… tambores marcam o rítmo do funeral que dura cerca de 3 dias… Quando chega o momento de dormir, podemos ouvir que os tambores seguem seu som por longas horas…
Isso é viver na capital do estado, estamos muito curiosos pra saber como é então a vida mais ao interior… Logo logo iremos lá e compartilharemos sobre essa parte!
Este é um período de chuvas aqui (chuvas até outubro e depois um período de 5 meses de sequia) e todos nos advertiram quanto ao mês de agosto, onde costuma chover tanto que as ruas de terra se transformam em um rio de lama… Aliás, esta semana, a Amanda e a Marlene cairam da moto que estavam de carona devido a lama do caminho mas, graças a Deus, não houve nenhuma consequência.
Temos tido dias muito intensos, veja:
A – Iniciamos o treinamento de obreiros nativos para a área social (Órfãos e Viúvas do Sudão) e estamos tomando algumas atitudes emergenciais para retirar as crianças da atual situação…
B – Estamos nos organizando para o início da construção de um novo local para as crianças e obreiras que comporte pelo menos 50 pessoas. Fizemos um projeto básico para atender o momento crítico: Iremos construir 2 quartos grandes (meninos e meninas), 2 quartos pequenos (obreiras que cuidarão das crianças), 1 grande salão onde será utilizado para inúmeros propósitos (cozinha, refeitório, sala de aula, lugar de reuniões e cultos), construiremos também banheiros com latrinas e cuidaremos para que elas tenham luz (gerador) e água. Após isso, compraremos o que for mais necessário para a parte interna como camas, colchões, etc.
C – Já estamos ministrando a Igreja local e a liderança. A Pra Marlene iniciou um trabalho com as mulheres (duas vezes por semana) e elas estão vibrantes… E estamos muito felizes, pois essa é uma grande vitória, pois aqui a Pra Marlene pode realizar este trabalho com mais liberdade do que na India. Ela ministra em inglês e uma irmã interpréta para o Árabe pois algumas mulheres não entendem inglês.
D – Iniciamos um levantamento completo de órfãos e viúvas da cidade e, para a nossa surpresa, esperávamos receber no primeiro dia cerca de 30 crianças e apareceram mais de 150 e nos dias seguintes mais e mais e mais…(fotos em anexo). Ficamos chocados ao saber que a MCM é a primeira organização que está de fato iniciando um trabalho para estes órfãos, pois aqui na cidade, tem pelo menos outras 3 grandes ONG´s renomadas que apenas mantêm um escritório. Segundo soubemos, é possível que essas organizações tenham algum tipo de trabalho escolar em outras regiões do Sudão, mas nenhum orfanato.
E – Estamos preparando todo o material necessário para iniciar a adoção desses órfãos e dos obreiros nativos (sustento como fazemos em outros países como para as Meninas dos Olhos de Deus).
Todos na cidade, estão sabendo sobre o que estamos fazendo e é incrível como todos já sabem nossos nomes e nos saúdam pelas ruas e isso inclui os muçulmanos. O Ministro do Desenvolvimento ficou muito tocado por este trabalho pioneiro que estamos iniciando.
Alguns dos muitos Testemunhos destes dias:
1 – Uma Sra que é a avó de 3 meninos e responsável por cuidar deles desde a morte de sua filha e seu genro na guerra, veio clamando e chorando pedindo nossa ajuda, pois ela sendo anciã não tem mais conseguido cuidar de seus netos e nem de si mesma e, infelizmente, um dos seus netinhos morreu de inanição (falta de alimento)
2 – Uma adolescente, contava sua história com muita dificuldade e com muitas lágrimas pois lembra-se de seus pais os quais foram mortos no período de guerra.
3 – Muitos pequeninos que vivem aqui e acolá, chegaram muito doentes para poder pedir nossa ajuda, contudo, ainda assim conseguiram nos dar um sorriso…
Ah, esta semana, houve um treinamento da ONU para os professores, para que todos ensinem a comunidade como evitar explosões com as inúmeras minas e bombas que ainda permanecem nas estradas, caminhos, pontes, etc. Pra eles, isso é normal devido aos longos anos de guerra!
Muitíssimo obrigado por estar conosco nesta batalha… Agradecemos constante a Deus por essa aliança entre nós!
Salam ! (paz em árabe)”
Prs Marcelo, Marlene e Amanda
SUDÃO “
FONTE: www.orfaosdosudao.com.br







































Agosto 7, 2009 at 5:22 pm
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